terça-feira, 11 de maio de 2010

Capa: "Beijo Gelado" Academia de Vampiros + Prólogo

Olá pessoal!
Aqui têm a capa de "Beijo Gelado", nome do segundo livro da colecção da Academia de Vampiros.
A capa está fantástica, não acham?


Agora, o prólogo!

Prólogo

As coisas morrem. Porém, nem sempre ficam mortas. Acreditem em mim, porque eu sei.

Há uma raça de vampiros neste mundo que são literalmente mortos-vivos. São os Strigoi, e, se ainda não tens pesadelos com eles, deverias ter. São fortes, rápidos e matam sem hesitação nem misericórdia. São também imortais – o que dificulta ainda mais a tarefa de os destruir. Só há três formas de o fazer: cravando-lhes uma estaca de prata em cheio no coração, decapitando-os, ou pegando-lhes fogo. Nenhuma delas é fácil, mas sempre é melhor do que nada.

Contudo, há também vampiros bons neste mundo. Chamam-se Moroi. Eles estão vivos e possuem o poder incrível e fantástico de exercer magia, servindo-se de um dos quatro elementos – terra, água, ar e fogo. (Bom, a maioria dos Moroi consegue fazer isso – mas explicarei melhor as excepções mais adiante.) Actualmente, quase não usam a magia para nada, o que é um pouco triste. Poderia ser uma excelente arma, mas os Moroi acreditam firmemente que a magia só deve ser usada para fins pacíficos. Essa é uma das regras mais importantes na sua sociedade. Geralmente, os Moroi são altos e magros e não suportam muita luz solar. Possuem, no entanto, sentidos sobre-humanos que compensam essa fraqueza: visão, olfacto e audição amplificados.

Ambas as raças de vampiros precisam de sangue. Suponho que é isso que faz deles vampiros. Contudo, os Moroi não matam para consegui-lo. Ao invés, mantêm alguns seres humanos por perto, que doam voluntariamente pequenas quantidades de sangue. Estes oferecem-se para o fazer porque as mordidelas dos vampiros contêm endorfinas que provocam uma intensa sensação de bem-estar, chegando inclusive a tornar-se viciantes. Sei-o por experiência própria. Estes seres humanos são os chamados dadores e são basicamente viciados nas mordidelas dos vampiros.

Ainda assim, manter os dadores por perto é melhor do que fazer as coisas ao estilo dos Strigoi, porque, como seria de esperar, esses matam para obter o sangue de que necessitam. Penso que isso até lhes agrada. Se um Moroi matar uma vítima enquanto se alimenta, ele ou ela transforma-se num Strigoi. Alguns Moroi fazem-no por escolha própria, trocando a sua magia e os seus princípios éticos pela imortalidade. Também se podem criar Strigoi à força. Se um Strigoi beber o sangue de uma vítima e obrigá-la depois a beber o seu próprio sangue… bom, cria-se assim um novo Strigoi. Isto pode acontecer a qualquer um: tanto a um ser humano, como a um Moroi, ou… a um dhampir.

Dhampir.

Isso é o que eu sou. Os dhampirs são metade humanos, metade Moroi. Agrada-me pensar que reunimos as melhores características de ambas as raças. Sou forte e robusta como os seres humanos e posso sair durante o dia para apanhar o sol que me apetecer. Porém, tal como os Moroi, possuo sentidos muito apurados e reflexos rápidos. Por esse motivo, os dhampirs são excelentes guarda-costas – e é exactamente isso que a maior parte de nós faz. Chamam-nos guardiães.

Passei toda a minha vida a treinar para proteger os Moroi dos Strigoi. Frequento um conjunto de aulas e de treinos especiais na Academia de São Vladimir, uma escola privada para Moroi e dhampirs. Sei usar todo o tipo de armas e desfiro uns valentes pontapés. Já bati em tipos com o dobro do meu tamanho – dentro e fora da sala de aula. E, para dizer a verdade, praticamente só bato em rapazes, já que, na minha turma, há poucas raparigas.

Isto porque, apesar de os dhampirs terem herdado inúmeras características fantásticas, houve uma que não herdaram: os dhampirs não podem ter filhos com outros dhampirs. Não me perguntem porquê. Eu de genética não percebo nada. Quando os seres humanos e os Moroi se juntam, produzem dhampirs. Aliás, é exactamente dessa união que nós resultamos. Porém, é raro isso acontecer actualmente; os Moroi tendem a afastar-se dos seres humanos. No entanto, devido a outro estranho acaso da genética, da união entre Moroi e dhampirs nascem crianças dhampir. Bem sei: é uma loucura. Seria de esperar que tivessem um bebé que fosse três quartos vampiro, certo? Mas não. Metade humana, metade Moroi.

A maioria dos dhampirs nasce da união de homens Moroi e mulheres dhampir. Já as mulheres Moroi preferem ter bebés Moroi. O que, normalmente, significa que os homens Moroi têm casos com mulheres dhampir e depois desaparecem. Consequentemente, muitas das mulheres dhampir tornam-se mães solteiras e é por isso que a maior parte não segue uma carreira de guardiã. Preferem centrar-se na educação dos filhos.

Assim, só os rapazes e meia dúzia de raparigas se tornam guardiães. Porém, aqueles que escolhem proteger os Moroi levam o seu trabalho muito a sério. Os dhampirs precisam dos Moroi para assegurar a sua descendência. Temos de protegê-los. Além do mais, é… bom, é um trabalho honroso. Os Strigoi são uma aberração maléfica. Não é correcto que persigam gente inocente. Os dhampirs que treinam para se tornarem guardiães recebem este ensinamento desde que aprendem a andar. Os Strigoi são uma raça diabólica e os Moroi têm de ser protegidos. Os guardiães acreditam nisso. Eu acredito nisso.

E há um Moroi que eu quero proteger mais do que qualquer outro no mundo: a minha melhor amiga, Lissa. Ela é uma princesa Moroi. Os Moroi têm doze famílias reais e ela é a última sobrevivente da sua – os Dragomir. Há, contudo, algo mais que faz de Lissa uma pessoa especial, além de ela ser a minha melhor amiga.

Lembram-se de eu dizer que cada Moroi controla um dos quatro elementos? Bom, acontece que a Lissa usa um que, até há pouco tempo, ninguém sabia que existia: o espírito. Durante muitos anos, julgámos que ela simplesmente não iria desenvolver qualquer habilidade mágica. Depois, porém, começaram a acontecer coisas estranhas em seu redor. Por exemplo, todos os vampiros possuem uma habilidade chamada compulsão, com a qual obrigam os outros a fazerem o que eles querem. Os Strigoi são mestres nessa habilidade. Os Moroi não a dominam tão bem e, além do mais, é proibida. Lissa, porém, detém esta capacidade com a força de um Strigoi. Basta-lhe bater as pálpebras, para as pessoas fazerem o que ela quer.

Contudo, de entre as suas habilidades, esta nem sequer é a mais espectacular.

Disse anteriormente que as coisas nem sempre permanecem mortas. Bom, eu sou uma delas. Não se preocupem – não sou como os Strigoi. Mas já morri uma vez. (Não o recomendo.) Aconteceu quando o carro em que eu seguia se despistou. O acidente matou-me a mim, os pais de Lissa e o irmão dela. No entanto, no meio do caos – e sem se dar conta – Lissa usou o espírito para me trazer de volta. Durante muito tempo, não soubemos que isso tinha acontecido. Na verdade, nem sequer sabíamos que o espírito existia.

Infelizmente, houve uma pessoa que soube da existência do espírito antes de nós. Victor Dashkov, um Príncipe Moroi moribundo, descobriu os poderes de Lissa e decidiu raptá-la para fazer dela a sua curandeira particular – para o resto da sua vida. Quando me dei conta de que alguém a seguia, decidi tratar do assunto pessoalmente. Fugimos da escola e fomos viver entre os seres humanos. Foi divertido – mas também bastante desgastante – andar sempre em fuga. Conseguimos viver assim durante dois anos, até as autoridades de São Vladimir nos apanharem e nos trazerem de volta há uns meses.

Foi nessa altura que Victor entrou em acção, sequestrando-a e torturando-a até ela ceder às suas exigências. Para alcançar os seus objectivos, Victor tomou algumas medidas extremas – como lançar um feitiço de luxúria sobre mim e Dimitri, o meu mentor. (Falarei dele mais adiante.) Victor também explorou a instabilidade mental que o espírito trazia a Lissa. O mais diabólico, porém, foi o que ele fez com a própria filha, Natalie. Chegou ao ponto de a encorajar a transformar-se numa Strigoi, para ajudar a encobrir a sua fuga. Ela acabou por morrer trespassada por uma estaca. Mesmo depois de ter sido capturado, Victor não mostrou grandes remorsos pelo que lhe fizera, o que me fez concluir que não perdi nada por ter crescido sem um pai.

Ainda assim, agora tenho de proteger Lissa dos Strigoi e dos Moroi. Só alguns oficiais sabem do que ela é capaz de fazer, mas tenho a certeza de que há outros como Victor que haviam de querer explorar esta sua habilidade. Felizmente, possuo mais uma arma que me ajuda a protegê-la. Quando me curou depois do acidente de viação, formou-se entre nós, a dada altura, uma ligação mental que me permite ver e sentir o que ela experiencia. (Contudo, só funciona num sentido. Ela não me pode «sentir» a mim.) Essa ligação ajuda-me a mantê-la debaixo de olho e assim saber se está com problemas, embora, por vezes, seja estranho estar na cabeça de outra pessoa. Estamos certas de que o espírito pode fazer muitas mais coisas, mas ainda não sabemos o quê.

Enquanto isso, tento ser a melhor guardiã que posso. O facto de termos fugido da Academia atrasou a minha formação, por isso tenho aulas suplementares a fim de compensar o tempo perdido. Não há nada no mundo que eu queira mais do que manter Lissa em segurança. Infelizmente, há duas coisas que, de vez em quando, complicam a minha formação: uma prende-se com o facto de, por vezes, agir antes de pensar; já me consigo controlar melhor, mas, quando me acontece alguma coisa, tenho a tendência para bater primeiro e perguntar depois. Quando as pessoas de quem gosto estão em perigo… bom, não me parece obrigatório seguir as regras.

O outro problema na minha vida é Dimitri. Foi ele quem matou Natalie. É um tipo duro e também é muito giro. Está bem, pronto – mais do que giro: é uma brasa – daquele tipo de brasa que nos leva a parar no meio da rua e sermos atropeladas pelo trânsito. Contudo, como já disse, ele é meu mentor e tem vinte e quatro anos. Essas são as duas razões pelas quais não me deveria ter apaixonado por ele. Para ser sincera, porém, a razão mais importante é que ele e eu iremos ser os guardiães de Lissa quando ela se formar. Se estivermos a olhar um para o outro, isso significa que não estaremos a olhar por ela.

Não tive muita sorte em tentar esquecê-lo e tenho a certeza de que ele sente o mesmo por mim. Em parte, o que o torna tão difícil é o facto de ter havido um momento de grande excitação entre nós quando estivemos sob o efeito do feitiço. Victor queria distrair-nos enquanto raptava Lissa e a coisa funcionou. Eu estava pronta para entregar a minha virgindade e Dimitri estava pronto a recebê-la. Quebrámos o feitiço no último minuto, mas essas memórias estão sempre comigo, fazendo com que, por vezes, me seja difícil concentrar nos movimentos de combate.

A propósito, o meu nome é Rose Hathaway. Tenho dezassete anos, preparo-me para proteger e matar vampiros, estou apaixonada pela pessoa errada e tenho uma melhor amiga cuja estranha magia a pode levar à loucura.

Pois, ninguém disse que a escola secundária era fácil.»


0 Comments:

Post a Comment